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Bolsonaro quer privilégios e prisão domiciliar que sempre negou aos trabalhadores

Publicado: 23 Março, 2026 - 16h34 | Última modificação: 23 Março, 2026 - 17h08

Escrito por: CUT ES

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A CUT ES vem a público manifestar sua mais veemente indignação diante do mais novo capítulo da novela jurídica protagonizada por Jair Bolsonaro. Enquanto o ex-presidente, condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentar golpear a democracia brasileira, agora busca trocar a Papudinha (como é conhecida a ala de celas especiais do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal) por uma prisão domiciliar humanitária, nós perguntamos: cadê a humanidade quando o assunto era o povo brasileiro?

As 700 mil vidas perdidas por negligência de Bolsonaro
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, manifestou-se favorável à prisão domiciliar do ex-presidente sob a alegação de que Bolsonaro precisa de "cuidados indispensáveis ao monitoramento, em tempo integral, do estado de saúde". O mesmo Bolsonaro que, durante os quatro anos em que ocupou o Palácio do Planalto, tratou a maior tragédia sanitária da história recente como um mero contratempo, como GRIPEZINHA!

Até o final de seu governo, o Brasil registrou 693.853 mortes por Covid-19. O número total da tragédia ultrapassou a marca de 700 mil vidas perdidas, com mais de 39 milhões de casos confirmados. Estima-se que mais de 500 mil mortes poderiam ter sido evitadas se o governo federal tivesse adotado medidas baseadas em evidências científicas desde o início da pandemia.

O que Bolsonaro fez? Chamou o vírus de "gripezinha", chamou de "maricas" aqueles que choravam a perda de entes queridos, insinuou que quem tomasse vacina viraria "jacaré", estimulou aglomerações e atrasou deliberadamente a compra de vacinas.

Se o Brasil tivesse seguido a média mundial de mortalidade, teria tido quase quatro vezes menos mortes. Em vez disso, concentrando aproximadamente 2,7% da população global, o país foi responsável por cerca de 10% das mortes mundiais por Covid-19.

Lula preso x Bolsonaro na Papudinha: a desigualdade que escancara o caráter capitalista
A hipocrisia do pedido de prisão domiciliar fica ainda mais escancarada quando comparamos com o tratamento dado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva quando esteve preso em Curitiba.

Lula, que liderava todas as pesquisas de intenção de voto para as eleições de 2018, foi preso em 7 de abril de 2018, após decisão do então juiz Sergio Moro, e passou 580 dias encarcerado. Durante todo esse período, nunca lhe foi concedida prisão domiciliar. As instalações eram rígidas, as condições eram duras, e a perseguição política era evidente aos olhos do mundo.

Já Bolsonaro, condenado por tentar dar um golpe de Estado, por articular uma organização criminosa armada contra as instituições democráticas, agora quer privilégios. Seu histórico recente já havia mostrado que ele já tentou retirar a tornozeleira eletrônica com ferro de solda e tinha planos de fuga.

A contradição é evidente. Enquanto Lula foi tratado como criminoso comum, sem qualquer regalia, Bolsonaro, mesmo com tentativas de fuga no currículo, pleiteia ir para casa. A PGR pode até alegar questões de saúde, mas é preciso lembrar: a saúde de 700 mil brasileiros não mereceu a mesma atenção.

O discurso do "patriota" e a prática do covarde
Durante anos, Bolsonaro e seus aliados fizeram da palavra "patriota" uma bandeira. Falavam em "família", em "Deus", em "defesa da nação". No entanto, a pandemia mostrou o verdadeiro caráter desse grupo, negacionistas da ciência, inimigos da vida e covardes na hora de assumir responsabilidades.

O mesmo homem que discursava em palanques dizendo que "bandido bom é bandido morto" agora quer voltar para casa porque o conforto da Papudinha, que já é um privilégio imenso para qualquer cidadão comum, não é suficiente .

Aquele que afirmava que "prisão domiciliar não funciona" agora pede exatamente o benefício que tanto criticava.

A divergência entre discurso e prática

Vamos aos fatos:

  • Discurso de Bolsonaro: "Defendo a família e os valores cristãos."
  • Prática: Negou vacinas, incentivou aglomerações e permitiu que milhares de famílias perdessem seus entes queridos sem a devida assistência.
  • Discurso de Bolsonaro: "Sou contra privilégios."
  • Prática: Agora busca exatamente um privilégio negado à esmagadora maioria da população carcerária.
  • Discurso de Bolsonaro: "Sou um patriota que defende a soberania nacional."
  • Prática: Planejava um golpe de Estado contra as instituições democráticas, colocando em risco a estabilidade do país para benefício próprio.

Reafirmamos que não pode haver anistia!

Anistiar Bolsonaro seria um desserviço à memória das 700 mil vítimas da pandemia. Seria desrespeitar os mais de 39 milhões de brasileiros e brasileiras que foram infectados pela Covid-19. Não se trata apenas do destino de um ex-presidente. Trata-se do princípio de que ninguém está acima da lei.

Bolsonaro foi condenado por tentar destruir a democracia que lhe permitiu chegar ao poder. Agora, em vez de reconhecer seus erros e cumprir sua pena, tenta driblar o sistema com manobras jurídicas. Tenta usar sua idade e seu estado de saúde (legítimos, mas não exclusivos) para obter um benefício que milhões de brasileiros nunca teriam acesso.

Entendemos que o sistema de justiça deve tratar a todos com igualdade. Se Lula não teve direito à prisão domiciliar, Bolsonaro também não pode ter. Se o povo brasileiro não teve o direito à vida plena durante a pandemia, por negligência de quem governava, agora não pode ser obrigado a engolir mais um privilégio para quem causou tanto sofrimento.

A CUT ES continuará mobilizada para que a justiça seja feita: não à prisão domiciliar para Bolsonaro, sim à responsabilização pelos crimes na pandemia e pelos crimes contra a democracia!